segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Contos que não valem um conto - O beijo

- Acho que fui prejudicado sim! Disse ele olhando-a nos olhos, falando sobre o fato de ter crescido no meio das mulheres, e ter a visão do amor que elas imprimiram nele, este amor romântico e maravilhoso, respeitoso e gentil, tornou-se galanteador e patético, não tinha o instinto caçador como diziam seus amigos.
- Não acho, – respondeu ela – você foi um privilegiado, conhece bem as mulheres, todas elas amam você, o que você precisa é aprender um pouco o jeitão dos homens também.
- Tipo o que?
- Tipo chegar junto, mais firme sabe, você é muito comportado, tem que ser um pouco descarado, mas sem ser grosseiro.
- Mas eu sou!
Afirmou ele um pouco indignado.
- É nada, se fosse tinha dado um gruda na Mônica, mas não, o senhor certinho a levou para dançar, pagou as bebidas, conversou horas com ela, a fez rir, elogiou a inteligência dela e não só o corpo e depois a deixou na porta de casa sem sequer dar um beijo nela. Você não tem malícia! Entenda uma coisa, as mulheres querem ser respeitadas, mas querem homens de atitude e é isso o que falta a você.
Era duro, mas ela tinha razão.
- Você tem razão. Não sei ser de outro jeito, o que posso fazer? Não sei se ela está ou não a fim, não consigo interpretar os sinais.
- Se ela não tiver a fim, acredite-me, ela dirá. Será um fora só isso, mas você vive com medo e adia este momento, adiando também a chance de um possível sim.
Ele nunca havia pensado assim, e uma alegria brotou no coração dele, junto com a alegria havia o medo, mas que droga, pensou consigo, como poderia ter medo se o máximo que ele poderia receber era um sim, pois o não ele já tinha. O sorriso iluminava seu rosto, ela ao ver os olhos brilhantes do rapaz sorriu também, ele tentava disfarçar a euforia, controlar a respiração, ser dono da pulsação para não recuar diante do medo.
- O que foi? Perguntou ela apreensiva.
- Nada, é que estou feliz, não sei como agradecer.
- Não foi nada, além do que é só dizer obriga...
No meio da palavra ele curvou-se sobre a mesa e a beijou rapidamente, depois, diante do espanto dela, a beijou novamente, desta vez foi correspondido... Aquilo deveria ser um sim.




PS: Nasceu meu sobrinho no dia 20. David, seja bem vindo! Agora são 04, todos perguntam quando virá o meu.Resposta: Não sei!

1 comentários:

Engraçadinha disse...

Ainda bem. =)