Ela tentava finalmente organizar as coisas para cantar o parabéns. A senhora de setenta e sete anos sorria um sorriso bobo, olhava para as crianças e sorria, talvez porque se sentisse, sentada em sua cadeira no centro da mesa na sala de jantar, mexendo em seu chapéu preferido.
A dona da casa colocava os doces na mesa, as velas no bolo, pegava os refrigentantes e arrumava os pratos e copos descartáveis. Seus sobrinhos corriam pela casa de um lado para o outro, sua irmã mais nova assitia televisão na sala, as outras duas conversavam sobre cabelo enquanto seus respectivos maridos fumavam e bebiam na varanda falando sobre futebol.
"A mesa está pronta gente!" as poucos iam se juntando ao redor da senhora, que ria e contava histórias antigas a respeito de suas filhas, lembrava a morte do marido ria dos netos e ao chegar em Clara perguntava a uma das outras filhas:
"E esta aí, é sua amiga Claudia?"
"Não mamãe, é sua filha Clara; respondia sem jeito a outra"
Clara não sorria, no fundo queria que todos desaparecessem, mas apenas ela é quem desaparecera da memória da mãe.
Cantaram parabéns, sorriram comedidamente, comeram como se nunca tivessem comido e se preparavam para sair quando a senhora perguntou: "Aonde vão?"
"Vamos embora mamãe."
"Mas e eu?"
Uma das irmãs comentou baixinho: "É melhor irmos antes que ela comece de novo. Se não, não saímos daqui hoje".
Pegaram as coisas, prepararam pratinhos para levar e saíram, deixando toda a bagunça para Clara, como fazem todos os anos desde que a senhora teve problemas de saúde e passou a morar com ela que era a única filha solteira e sem filhos. Lembrava-se muito bem o que o médico havia dito: "Não foi nada grave, o cérebro foi afetado de maneira que ela não reconhecerá vocês no começo, mas aos poucos irá se lembrando".
Sete anos se passaram e ela se lembrava de todos, menos dela."A mesa está pronta gente!" as poucos iam se juntando ao redor da senhora, que ria e contava histórias antigas a respeito de suas filhas, lembrava a morte do marido ria dos netos e ao chegar em Clara perguntava a uma das outras filhas:
"E esta aí, é sua amiga Claudia?"
"Não mamãe, é sua filha Clara; respondia sem jeito a outra"
Clara não sorria, no fundo queria que todos desaparecessem, mas apenas ela é quem desaparecera da memória da mãe.
Cantaram parabéns, sorriram comedidamente, comeram como se nunca tivessem comido e se preparavam para sair quando a senhora perguntou: "Aonde vão?"
"Vamos embora mamãe."
"Mas e eu?"
Uma das irmãs comentou baixinho: "É melhor irmos antes que ela comece de novo. Se não, não saímos daqui hoje".
Pegaram as coisas, prepararam pratinhos para levar e saíram, deixando toda a bagunça para Clara, como fazem todos os anos desde que a senhora teve problemas de saúde e passou a morar com ela que era a única filha solteira e sem filhos. Lembrava-se muito bem o que o médico havia dito: "Não foi nada grave, o cérebro foi afetado de maneira que ela não reconhecerá vocês no começo, mas aos poucos irá se lembrando".
Já na porta, a senhora na cadeira de rodas despediu-se, logo em seguida esqueceu-se e perguntou: "Aonde vocês vão? Mas e eu? Vocês não vão me deixar aqui com essa mulher, vão?"
Os outros entraram em seus carros e foram embora, Clara fechou a porta e iniciou o trabalho de limpar a sujeira da festa enquanto sua mãe contava estórias que lembravam a infância de suas irmãs. Lembrava de tudo, do batismo, dos casamentos, do nascimento dos netos.
"Ah, minhas filhas são meninas lindas. Você é amiga delas? Olha, voute contar uma coisa..."

2 comentários:
No final da vida da minha avó - 98 anos - ela entrou nessa fase. Ela não reconhecia minha mãe, que ora era uma mulher estranha, ora um homem.
Uma fase triste.
Apagar coisas específicas, se uma escolha, seria bastante interessante, não? Muito triste é estar do outro lado...
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