quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Diante do espelho.


Olhou-se no espelho e viu dentro de si, aquilo que nenhum dos seus amigos ousou falar e, descobrir por si mesmo aquilo que você mais temia é muito mais doloroso e difícil de aceitar. Pior ainda, mais que aceitar, conseguir ter ação para transformar a si de maneira saudável e produtiva. Ele pensou: Há momentos na vida que é preciso ter coragem, mas o que é ter coragem?
- Não sei responder a esta pergunta!
Concluiu em voz alta. Pouco depois percebeu que não sabia responder há muitas perguntas feitas por si mesmo. Se fosse em outra época, inventaria uma resposta convincente e acreditaria que ela era a mais correta que existe, foi exatamente por este motivo que chegou onde estava agora, diante do espelho e chorando. Olhando aquele rosto como se quisesse enxergar no reflexo algo no fundo do próprio ser. Quando se inventa respostas inexistentes em vez de assumir que não se sabe a resposta, corre-se um risco muito grande de ver todas elas desabarem um dia e quando isso ocorre, é ruim, mas é bom.
Nove anos em um relacionamento, se dedicou demais, amou demais e por entender que amar era cuidar do outro, fez isso com esmero e esperava o mesmo. Não acontecia. Todos sabiam uma coisa, menos ele. O que havia entre eles era amizade, pelo menos da parte dela, o fogo que deveria existir, não existia. Desejava, mas não era desejado, amava e não se sentia amado. Chegou uma hora em que apenas a presença da pessoa não era mais suficiente, a falta de reciprocidade fez com que ele se esgotasse de tanto se doar. Murchou feito um planta que não é regada, torturou-se por ver o fim e um ano depois tomou a atitude e postura que deveria. Levou tudo numa boa, mas não percebeu que apesar de não sofrer por ter aceitado o fim, dentro de si guardava uma semente, a semente da decepção e do medo.
Dois anos se passaram, não se relacionou com ninguém, apesar de aparentar fortaleza, passou a esconder-se atrás de outros objetivos e a usar desculpas para sabotar o que sentia em relação a algumas pessoas. Apaixonou-se algumas vezes, mas se atirou tão desesperadamente nesta paixão, que o desejo de agradar, deixava claro ao outro que ele não se amava o suficiente, entregando-se de maneira exacerbada, afastando quem estava interessado, apenas ele não percebia isso. Ele não sabia amar. O medo e a insegurança, agindo sem que ele notasse. Eram os fantasmas do passado influenciando o presente, o resultado era o mesmo sempre. Rejeição. Um dia ao perguntar o que faltava, alguém o respondeu:
- Você não sabe? Olhe como age consigo mesmo.
Ele não entendeu, até que, após uma tentativa desastrosa, percebeu que não se valorizava, sempre que podia pensava de forma negativa a seu respeito. Achava-se feio, tímido, desastrado e inexperiente. Partia para uma conquista se sentido derrotado. Punia-se sem saber, agora estava ali, diante do espelho retirando todas as máscaras e pedindo forças para mudar aquilo que reconhecera, pois não basta admitir, é preciso agir... Ele não se amava, não sabia como fazer isso, no fundo nunca se sentiu amado e todo o amor do mundo para quem não sabe o que é amar, é nada.

9 comentários:

Engraçadinha disse...

E quando se sabe as respostas mas não se tem coragem para tomar as providências?
Ou ainda... qdo vc sabe q essas providências serão tomadas a longo prazo, mas já existe sofrimento envolvido desde já?
Só não pensar no assunto?

Márcia(clarinha) disse...

Coragem?
É olhar-se no espelho e não chorar.

lindo dia Menino Mago
beijos

garotabossanova disse...

No fundo, o amor sempre nos cura de uma loucura qualquer.E se estamos perdidos ele nos acha,de um jeito ou de outro.Sempre.Beijo!

Philip Rangel disse...

Estamos precisando disso..as vezes sabemos todas nossas respostas para nossas perguntas mas nao conseguimos solucionar essas duvidas e ou agir???buscar a coragem....

abraçao

Marcos disse...

Uma marca de seus contos é o rebuscamento psicológico dos personagens. Gosto dessa característica.

Segunda impressão disse...

O primeiro amor deve ser o amor próprio, sem a idéia do egocentrismo é claro.
Belíssimo post!
Ótimo fim de semana!
Bjssss.

Ludi disse...

A vida sem amor, é uma vida muito triste.
E não sei se sabemos todas as respostas da pergunta da vida... viver é tão complexo, e tão bonito... como diz a música do Dead Fish "vivos, nos resta viver". E é isso que temos que fazer... viver, não existir...
Beijão

SAULO PRADO disse...

Ola estou só batendo o ponto!!!
Vim conhecer o seu cantinho, e estou adorando o que vejo; serei presença constante aqui.
O meu mundo quadrado é um lugar feito por devoção ao poeta, e a poesia, pois amar o poeta é entra em seu mundo te convido a vim conhecer o meu...
Um abraço e fique com DEUS...…

. fina flor . disse...

como diz a canção: é o tempo quem nos mata, a lealdade, tão contrario a si é o mesmo amor....

o tempo é corrosivo para as relações, pena, né?

beijos, querido e obrigada pelos seus pousos,

MM.